Tecnologia transforma investigação criminal e amplia desafios para instituições públicas
A evolução da criminalidade no ambiente digital e os impactos das novas tecnologias na investigação criminal foram tema de debate durante o painel “Investigação criminal, tecnologia e inovação”, realizado nesta quinta-feira, 6 de agosto, no Wish Serrano Resort, em Gramado. A atividade integrou a programação científica do XVII Congresso Estadual do Ministério Público e reuniu membros do Ministério Público, profissionais da segurança pública e especialistas para discutir os desafios impostos pela transformação tecnológica.
Mediado pelo vice-presidente de Valorização Funcional da Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMP/RS), Reginaldo Freitas da Silva, o encontro abordou o uso da inteligência artificial, a produção de provas digitais, a atuação integrada entre instituições e as novas estratégias necessárias para acompanhar a evolução dos crimes praticados no ambiente virtual.
Ao destacar a importância do debate, Reginaldo ressaltou que o Ministério Público precisa acompanhar as transformações tecnológicas para aprimorar sua atuação diante dos novos desafios da sociedade.
“O Ministério Público precisa estar preparado para compreender as transformações da sociedade e os novos desafios que surgem com a evolução tecnológica. Debater investigação criminal, inteligência artificial e inovação é fundamental para que a instituição possa aprimorar sua atuação, sempre conciliando eficiência, responsabilidade e respeito às garantias constitucionais”, destacou.
O delegado de Polícia Civil Alessandro Barreto destacou que a criminalidade passou por uma transformação significativa nos últimos anos, migrando cada vez mais para o ambiente digital. Segundo ele, o avanço tecnológico trouxe novos desafios para as instituições, mas também ampliou as possibilidades de investigação e produção de provas.
“A criminalidade migrou das ruas para o ambiente digital, e o desafio das instituições é acompanhar essa transformação. A inteligência artificial trouxe novas possibilidades para a investigação, mas também exige novas metodologias e qualificação permanente. Precisamos compreender como essas ferramentas podem auxiliar na identificação de autores, na preservação de provas e no enfrentamento dos novos formatos de crime”, pontuou.
Durante sua exposição, Barreto apresentou exemplos práticos do uso da inteligência artificial em investigações, incluindo ferramentas de análise de dados, reconhecimento facial e identificação de vínculos digitais utilizados para auxiliar na apuração de crimes.
Na sequência, o promotor de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Flávio Duarte, abordou os impactos das novas tecnologias na atuação ministerial e ressaltou a importância da integração entre órgãos públicos para ampliar a efetividade das investigações.
“Estamos vivendo um momento de grandes transformações, com novas tecnologias, inteligência artificial e mudanças na própria dinâmica das investigações. Por isso, a troca de informações entre os órgãos públicos é fundamental. A atuação integrada permite compartilhar conhecimento, qualificar as análises e construir respostas mais eficientes para a sociedade”, ressaltou.
O chefe de Núcleo Regional da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Mateus Cogo Marques, apresentou a aplicação de ferramentas tecnológicas no trabalho de fiscalização do mercado de combustíveis. Ele destacou que o uso estratégico de dados contribui para tornar as ações mais precisas e direcionadas.
“A inovação tecnológica tem papel fundamental para tornar a fiscalização mais eficiente. A utilização de dados e novas ferramentas permite direcionar melhor os esforços, identificar irregularidades com maior precisão e fortalecer o trabalho de prevenção e combate às fraudes”, afirmou.
O painel integrou a programação científica do XVII Congresso Estadual do Ministério Público, que tem como tema “O MP e o desafio da inovação: a ética e a segurança no uso das novas tecnologias” e reúne, até esta sexta-feira, autoridades, membros do Ministério Público e especialistas para debater os impactos das transformações tecnológicas na atuação institucional.




