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09/07/2010 • Associação

Crack transforma gente em bicho

Ao ser fumado o crack atua em uma região do cérebro, de apenas 18 milímetros, mas que é a responsável por diferenciar os homens dos macacos. Essa é uma das teorias defendidas pelo psiquiatra Eduardo Kalina, diretor médico do Brain Center, em Buenos Aires, que está em Porto Alegre desde ontem para dividir a sua experiência com relação ao tratamento e o uso de drogas. 

Durante o 1° Congresso Internacional Crack e Outras Drogas, do qual participam conferencistas de Brasil, Argentina, México e Colômbia, ele disse que o crack dá ao usuário um sentimento de onipotência, de ter superpoderes. 

– O crack atua em uma área responsável pelas noções de civilidade, provocando desinibição e liberando a fantasia. O usuário passa a agir como um zumbi, um chimpanzé. Por isso, os usuários matam por qualquer coisa e nem se dão conta do que estão fazendo, agem simplesmente. Não existe um prazo para isso acontecer. Pode ser no primeiro contato com a droga ou depois de algum tempo – explica. 

Para que atinja todas as partes do corpo, os ingredientes tóxicos da droga são disparados pelo sistema nervoso simpático – que estimula ações que permitem ao organismo responder a situações de forma automática – e conduzidos pela corrente sanguínea até os órgãos, espalhando seus efeitos pelo organismo, de acordo com Kalina. 

– O entorpecente faz com que esse sistema simpático estoure com o passar do tempo. As artérias se fecham e o coração tem de trabalhar mais, provocando microinfartos por todo o corpo. Em consequência, parte do cérebro, com o passar do tempo, fica atrofiada. 

Mesmo com tamanho estrago provocado pela dependência química no organismo, o médico acredita no tratamento e cita o exemplo de Diego Maradona, técnico da Seleção Argentina, que conseguiu se livrar do uso das drogas: 

– Por duas vezes o coração dele dilatou e perdeu a capacidade de se contrair em função do uso da droga. Mas, como é esportista, foi atendido rapidamente e, como ele mesmo diz, tem Deus ao seu lado, conseguiu se salvar. A maioria morre, pois a cocaína acelera a morte cerebral. 

O 1° Congresso Internacional Crack e Outras Drogas, que reúne desde quarta-feira, mais de 1,2 mil pessoas, encerra-se hoje com mais uma rodada de palestras e 16 oficinas, com cerca de 700 inscritos.

Fonte: Zero Hora. 09 de julho de 2010


 
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