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09/07/2010 • Associação

Vício do amor foi mais forte e triunfou

Dos 33 anos de matrimônio dos pais de um ex-usuário de crack, atualmente com 28 anos, os últimos quatro foram os de maior união. Ele, 63 anos, natural do Mato Grosso, e ela, gaúcha, 61 anos, andam juntos por todo o lugar. Ambos são viciados em amor e comemoram os dois anos que o caçula está longe da pedra. 

Do coma alcoólico aos 12 anos durante uma festa junina na escola, ao uso do crack se passaram 13 anos na vida do jovem. No meio do caminho, relatos de flagrantes que o pai obtinha do filho com maconha e uma intimação da Justiça pela posse de cocaína. 

– Sempre conversávamos sobre drogas, sexo e honestidade. Quando peguei ele com um baseado, dialogamos, e a mãe, que fumava há 37 anos, largou o cigarro. Mas ele, pela diferença de idade que tem dos dois irmãos, sempre teve mais liberdade. Era insistente, conseguia o que queria – conta o pai. 

Os primeiros contatos com os grupos de apoio ao usuário foram traumáticos, e os meses iniciais de realidade foram de muita vergonha para a mãe. Foi quando o casal começou a frequentar a Associação Portoalegrense Amor-Exigente (Apaex), que reuniu forças para acompanhar cada minuto dos seis meses de internação do filho em uma comunidade terapêutica, de Viamão, na Região Metropolitana. 

Mesmo sendo o retrato da superação e tendo uma cartilha para ensinar, o casal foi ao evento, ontem, para aprender com a oficina de Reinserção Social, que teve o psiquiatra Eduardo Kalina como um dos expositores. 

O casal, que prefere não se identificar, faz parte agora de um grupo de voluntários que auxilia aqueles que vivem o terremoto pelo qual passaram. 

– Nosso filho está noivo. Vamos continuar na luta mesmo quando ele casar e sair de casa, porque fazemos isso agora por nós – vibra a mãe. 

Não foi por vergonha que eles pediram para ter os nomes preservados. Também não foi o desespero que levou o casal, morador do bairro Menino Deus, ao congresso. 

– Não temos restrições em falar. Só que não precisamos gritar aos quatro ventos que nosso filho foi um drogado – declara a mãe.

Fonte: Zero Hora. 09 de julho de 2010


 
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