Crack. Ignorar é o seu vício?

Origem


Segundo estudos científicos, o consumo de crack tem seus primeiros registros na década de 80, nos Estados Unidos, comumente utilizado pelas camadas mais pobres daquela sociedade. Surgiu como um novo e mais potente subproduto da cocaína, que, em forma de pedra, teve acrescentada à sua composição, o bicarbonato de sódio. Ao ser consumida, a “pedra” tinha uma maior absorção pelo cérebro e, por consequência, provocava sensações mais estimulantes e prazerosas em comparação à cocaína.  Seu nome, crack, tem origem no som que produz quando submetido à queima para ser fumado, como um estalo.

No Brasil, o primeiro registro de utilização da droga foi em São Paulo, no ano de 1989.


Formas de Consumo


A forma mais comum de consumo é através da aspiração da fumaça oriunda da queima da pedra do crack. Para isso, os usuários utilizam cachimbos, muitas vezes produzidos artesanalmente com latas, garrafas plásticas, canudos, canetas, etc. Pequenos fragmentos da pedra também são consumidos na mistura com a maconha, em forma de cigarros.

 

Custo da pedra

O valor de cada pedra de crack pode variar de R$ 5,00 a R$ 20,00, e esta variação dependerá de seu peso em gramas. Os usuários da droga chegam a utilizar 20 pedras de crack por dia.

Efeitos


Os efeitos do crack são semelhantes aos da cocaína, o que os diferencia é a forma de consumo (o primeiro é fumado e segundo pode ser inalado ou injetado) e a absorção das substâncias pelo corpo. A “pedra” quando fumada, é absorvida instantaneamente pelo pulmão, o que facilita a entrada na corrente sanguínea e no cérebro. Os primeiros efeitos do crack ocorrem após 10 a 15 segundos, e tem duração média de 5 minutos, enquanto os efeitos da inalação do “pó” de cocaína surgem após 10 a 15 minutos, e após a injeção, em 3 a 5 minutos, podendo “a viagem” variar em duração de 20 a 45 minutos.

Do ponto de vista quem o usa, o crack se torna uma droga de alcance poderoso, uma vez que a sensação de prazer intenso pode ser comparada ao de um orgasmo. Outras sensações tais como euforia, poder e excitação sexual, também são citadas pelos os usuários da droga.  O que explicaria a vontade incontrolável, popularmente conhecida como “fissura”, em usá-la repedidas vezes e a dependência em pouquíssimas vezes de uso. Contrapondo as sensações de prazer, “na fissura”, os efeitos são descritos como devastadores, causando cansaço, insônia, falta de apetite, irritabilidade, diminuição da atividade sexual, angustia e depressão.

Efeitos tóxicos também são comuns aos usuários de crack, que na tentativa de aumentar a sensação de prazer com o uso da droga, utilizam quantidades cada vez maiores da pedra. Isso os leva a apresentar comportamento violento, de agitação psicomotora, de irritabilidade e de paranóia, propiciando a ocorrência de situações de grande agressividade. Complicações mortais como enfartes do miocárdio, hemorragias cerebrais e paradas respiratórias podem ocorrer com o uso contínuo da droga. Porém, a relação com a morte não é direta e pode incidir muito mais por atividades relacionadas ao tráfico, disputa na aquisição para venda ou uso, prostituição e homicídios para obtenção da droga do que pelos efeitos que ela causa nos seus usuários.

Comportamento do Usuário


Como saber se alguém esta consumindo crack?

 

Se você desconfia que alguém de sua convivência está consumindo crack, ou deseja informar-se para trabalhar com a prevenção dentro de sua família ou em meio social, confira abaixo um conjunto de indicadores que poderão lhe ajudar.

 

Os usuários de crack apresentam as seguintes atitudes e características:

 

·    Mudança radical de comportamento, perdendo o interesse nos estudos, trabalho, convivência com familiares e amigos;

·      Humor deprimido, agressivo e violento;

·      Dificuldades de estabelecer e manter relações afetivas;

·      Sensações de perseguição (paranóia), com alucinações e delírios;

·      Comportamentos repetidos e atípicos (abrir e fechar portas e janelas, apagar e acender luzes);

·      Mente com frequência;

·      Passa a furtar objetos (tudo que tiver valor) de sua própria casa ou trabalho para efetuar a compra e posterior consumo da droga;

·      Diminuição do apetite com perda rápida de peso;

·      Distúrbios do sono, em geral insônia;

·      Em alguns casos flatulência, diarréia e vômitos;

·      Descuido e falta de asseio na higiene pessoal;

·      Olhos vermelhos, pupilas dilatadas e boca seca;

·      Contrações musculares involuntárias;

·      Apresentam bolhas e ferida na língua, nos lábios, rostos e dedos;

 

 

REFERÊNCIAS

CORONEL, L.C.I.; BROFMAN, G. S.; PAZ, R. Crack – Elementos para uma política pública. Porto Alegre. Multiajuris – Primeiro Grau em Ação, Ano III, n. 6, dezembro de 2008.

 

KESSLER, F.; PECHANSKY, F. Uma visão psiquiátrica sobre o fenômeno do crack na atualidade. Porto Alegre: Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 30, n.2, p. 96-98, 2008.

 

OLIVEIRA, L. G.; NAPPO, S. A. Crack na cidade de São Paulo: acessibilidade, estratégias de mercado e formas de uso. São Paulo: Revista de Psiquiatria Clínica, v. 35, n. 6, p. 212-218, 2008.

 

OLIVEIRA, L. G.; NAPPO, S. A. Caracterização da cultura de crack na cidade de São Paulo: padrão de uso controlado. São Paulo: Revista de Saúde Pública, v. 42, n. 4, p. 664-671, 2008.

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